segunda-feira, 20 de julho de 2009

A Doida

A Noite passa, noivando.
Caem ondas de luar
Lá passa a doida cantando
Num suspiro doce e brando
Que mais parece chorar!

Dizem que foi pela morte
D´alguém, que muito lhe quis,
Que endoideceu. Triste sorte !
Que dor tão triste e tão forte!
Como um doido é infeliz!

Desde que ela endoideceu,
(Que triste vida, que mágoa!)
Pobrezinha, olhando o céu,
Chama o noivo que morreu,
Com os olhos rasos d´água!

E a noite passa, noivando.
Passa noivando o luar:
"Num suspiro doce e brando,
Pobre doida vai cantando
Que esse teu canto é chorar!"

Florbela Espanca

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