domingo, 20 de setembro de 2009

Momento Florbela Espanca

DEIXAI ENTRAR A MORTE
DEIXAI ENTRAR A MORTE, A ILUMINADA,
A QUE VEM PRA MIM, PRA ME LEVAR.
ABRIR TODAS AS PORTAS PAR EM PAR
COM ASAS A BATER EM REVOADA.

QUE SOU EU NESTE MUNDO? A DESERDADA,
A QUE PRENDEU NAS MÃOS TODO O LUAR,
A VIDA INTEIRA, O SONHO, A TERRA, O MAR
E QUE, AO ABRI-LAS, NÃO ENCONTROU NADA!

Ó MÃE! Ó MINHA MÃE, PARA QUE NASCESTE ?
ENTRE AGONIAS E EM DORES TAMANHAS
PRA QUE FOI, DIZE LÁ QUE ME TROUXESTE

DENTRO DE TI? PRA QUE EU TIVESSE SIDO
SOMENTE O FRUTO AMARGO DAS ENTRANHAS
DUM LÍRIO QUE EM MÁ HORA FOI NASCIDO!...
Á MORTE
MORTE, MINHA SENHORA DONA MORTE,
TÃO BOM QUE DEVE SER O TEU ABRAÇO!
LÂNGUIDO E DOCE COMO UM DOCE LAÇO
E COMO UMA RAIZ, SERENO E FORTE.

NÃO HÁ MAL QUE NÃO SARE OU NÃO CONFORTE
TUA MÃO QUE NOS GUIA PASSO A PASSO,
EM TI, DENTRO DE TI, NO TEU REGAÇO
NÃO HÁ TRISTE DESTINO NEM MÁ SORTE.

DONA MORTE DOS DEDOS DE VELUDO,
FECHA-ME OS OLHOS QUE JÁ VIRAM TUDO!
PRENDE-ME AS ASAS QUE VOARAM TANTO!

VIM DA MOIRAMA, SOU FILHA DE REI,
MÁ FADA ME ENCANTOU E AQUI FIQUEI
À TUA ESPERA... QUEBRA-ME O ENCANTO!

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